Quarenta dias a pé, dez mil fotos e a ideia que virou tudo
A ideia não começou como viagem. Começou como livro. O Marco queria fotografar um caminho inteiro sem atalho — nada de carro para adiantar trecho, nada de fotografar de janela. Se a imagem estava lá, a gente chegava até ela andando.
Saímos no fim de abril de 2017 e passamos quarenta dias na estrada. Vilarejos, vales, montanhas, bosques, estradas de terra, igrejas de pedra e, no fim, o mar. Voltamos com mais de dez mil imagens.
O que a gente não esperava
Que a parte difícil não seria fotografar. Seria decidir onde dormir, quanto tempo o trecho leva de verdade, se aquele bar abre na segunda, se dá para encher a garrafa antes da subida. Todo dia a gente resolvia essas coisas na base do improviso, e todo dia anotava a resposta para não errar de novo.
As anotações viraram um documento bagunçado. O documento bagunçado virou o que hoje a gente chama de Caderno de Bordo.
O mundo é direção, não destino.
A frase que virou marca não foi inventada numa reunião de criação. É a descrição literal do que a gente fez naquele ano: importava o caminho, porque era o caminho que estava sendo fotografado.
Oito anos depois
Hoje são 34 cidades publicadas, em 8 idiomas, e o mesmo método de sempre: a gente vai, anda, confere endereço, come no restaurante e só então escreve. Quando um lugar não presta, ele não entra — e é por isso que os cadernos demoram.
O livro daquele caminho continua sendo o projeto mais pessoal dos dois. Dele a gente fala noutra hora.